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CLARITATIS
Testemunho

Eu rezava por respostas,
não por um atalho

Para quem ama alguém impedido, e fica sentado ao lado na hora da comunhão.

Foto de Mariana Mota Por Mariana Mota

Durante muito tempo, eu fui a pessoa que ninguém via.

Quando me apaixonei pelo Chico, fui descobrindo aos poucos o que significava amar alguém que carregava um vínculo anterior reconhecido pela Igreja. Eu não tinha me casado antes. Não havia, na minha história, nada que eu reconhecesse como falta. E, mesmo assim, na hora da comunhão, eu permanecia sentada ao lado dele. A exclusão que pesava sobre o Chico, sem que eu entendesse bem como, passou a pesar também sobre mim.

Demorei a encontrar palavras para isso, porque o processo não falava de mim. Quando se fala em nulidade, fala-se da primeira união, das partes daquele matrimônio, dos fatos que só dizem respeito a ele. Eu estava fora dos autos, mas não estava fora da dor.

Eu sabia muito pouco, mas algo em mim não se conformava

Confesso que, no começo, eu sabia muito pouco sobre nulidade. Para mim, como para tanta gente, aquilo soava distante, quase um assunto de tribunal que não cabia na vida real de um casal que só queria viver a fé. Mas, à medida que fui conhecendo a história do Chico por inteiro, com calma, alguma coisa dentro de mim não se conformava com a ideia de que o único caminho fosse o afastamento. Eu suspeitava, mais com o coração do que com o que sabia, que ali podia existir uma verdade ainda não dita, e que a Igreja, que é mãe, teria um modo de buscá-la. Não era teimosia. Era uma intuição de fé.

Então fiz o que estava ao meu alcance: fui atrás de entender. Mergulhei nos materiais, li o que encontrava, procurei compreender o que de fato torna um casamento válido aos olhos da Igreja e o que pode ter faltado no momento do consentimento. Procurei alguns padres, conversei, perguntei sem pressa qual seria o caminho a seguir. Eu não fazia isso como uma terceira parte interessada em um resultado. Fazia como uma alma que rezava por respostas e precisava saber se elas existiam. Foi nesse percurso que aprendi uma coisa que mudou o meu modo de rezar: a Igreja presume que todo casamento é válido, e por isso a nulidade nunca é um carimbo que se pede, é uma verdade que se demonstra. Compreender isso me tirou a pressa do atalho e me devolveu a paciência da oração.

Em 2023, rezei pela vontade de Deus, não pelo resultado

A partir daí, passei a acompanhar cada etapa, não empurrando, mas caminhando junto. Incentivei o Chico a retomar a caminhada para a Igreja antes mesmo de qualquer processo, porque a vida de fé não precisava esperar por um decreto. E, quando o caminho da nulidade se abriu, acompanhei rezando, não para que Deus dobrasse a realidade ao que eu desejava, mas para que a verdade, qualquer que fosse ela, viesse à luz.

Em meados de 2023, quando o libelo finalmente deu entrada no tribunal eclesiástico, eu me entreguei a um tempo de oração e penitência. Foram dias de súplica e jejum, uma quaresma que me impus, não para arrancar de Deus a resposta que eu queria, mas para pedir que Ele nos mostrasse o melhor caminho, que fosse a Sua vontade, e que nós tivéssemos a graça de respeitá-la, qualquer que ela viesse a ser. E não parei de procurar entender: trouxe novos livros sobre o tema para nós dois, para que não restasse sombra de dúvida nem falta de informação. Hoje eu sei que nada desse cuidado foi em vão. Foi ele que nos formou como casal, e que mais tarde se tornou a nossa caminhada juntos no Claritatis.

Eu rezava por respostas, não por um atalho.

Quando a resposta veio, eu a vivi como uma oração respondida. A diferença, de novo, é tudo: eu não dobrei Deus à minha vontade. Ele me deu, no tempo Dele, a verdade que eu tinha pedido. E quando voltei à comunhão plena, ao lado do Chico, agora diante de Deus, não foi a alegria de quem venceu um processo. Foi a de quem foi atendida.

Por que conto isso

Conto porque sei que existe alguém lendo que é, hoje, a pessoa que ninguém vê. Que ama alguém impedido. Que fica sentado na hora da comunhão sem entender bem por quê, carregando uma exclusão que parece não ser sua. Que já pensou em ir embora.

Quero te dizer três coisas, do lugar de quem passou por isso.

Você não fez nada de errado por amar. Estar numa situação que a Igreja ainda não pode reconhecer não é ser uma pessoa má; é estar num caminho que precisa de verdade.

A comunhão com a Igreja não lhe foi tirada. Há uma vida inteira de fé aberta para você agora, antes mesmo do sacramento, e nela Cristo se dá a quem o deseja.

E reze por respostas, não por atalhos. Não peça que um papel quebre um feitiço. Peça a Deus a verdade, com confiança de filho, e caminhe. Se houver, no caso concreto, uma verdade que abra o caminho da nulidade, ela aparecerá quando for buscada com seriedade, e não com pressa.

Eu fui essa esposa. Hoje, com o Chico, ajudo outras pessoas a entender se existe, na sua história, um caminho possível. Não vendemos milagres. Acompanhamos quem decide procurar a verdade. Foi ela que me devolveu o que eu mais queria, e o que eu mais queria nunca foi um decreto. Era estar inteira, com ele, diante de Deus.

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Às vezes, a primeira graça é entender que o seu caso pode ter um caminho.

No Claritatis, ouvimos a sua história com sigilo e sem julgamento, e ajudamos a entender se esse caminho existe para você. Sem promessas, apenas clareza.

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